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As três aldeias indígenas que resistem em São Paulo

São Paulo, cidade onde a IMELC foi fundada, é certamente a cidade com maior miscigenação cultural da América Latina. E um reforçador dessa diversidade, é o fato de que por aqui ainda resistem três aldeias indígenas:  Guarani, no  Pico do Jaraguá; e Tenondé Porã e a Krukutu, que ficam em Parelheiros. Segundo dados do IBGE em 2010, São Paulo é o 4º cidade com maior população indígena do país, chegando a 12.977 pessoas.

Apesar dessas três aldeias que continuam dentro do perímetro da cidade, o número de indígenas que vivem na capital também se deve a outro fator: a migração. Em busca de oportunidades de emprego, educação, saúde e bem-estar, muitos deixaram seus povos para viver na cidade, principalmente durante as décadas de 1960 e 1970. No entanto, com essa migração para as cidades, não morreram os esforços da própria população indígena para preservação das culturas particulares das suas etnias. Quem sai da convivência social do povo de origem, não deve perder seu contato direto com sua cultura, e a maioria toma para si a responsabilidade de garantir a sobrevivência dos seus costumes, línguas, rituais e festas. 

 

É recente o olhar cultural (acadêmico e político) se voltar para os povos indígenas. A Constituição de 1988 reconhece e assume o dever da União de protegê-los e legitima seu modo de vida, cultura, costumes e terras tradicionalmente ocupadas. O trabalho de preservação histórica, social e cultural da vida dos povos indígenas do Brasil não tem sido uma tarefa fácil na arena de discussão das políticas culturais do país. E em menor escala, a cidade de São Paulo representa um universo de resistência das culturas indígenas e um recorte da situação no país. As três tribos da cidade, por exemplo, convivem com as demandas e realidades da capital – da necessidade de transporte e saúde de qualidade, até a preservação ambiental da mata atlântica (nativa da região) e especulação imobiliária, com uma particularidade que é comum a pequenos grupos étnicos: preconceito e racismo.

E falando assim, pode parecer muitas necessidades e muitos esforços para um grupo tão pequeno. Novamente, olhando para a cidade, são 12.977 pessoas – número infinitamente menor do que a população de todos os bairros de São Paulo e apenas 1% da população total, taxa que impressionantemente chega a 4ª maior do país. É aqui que a permanência das três tribos que sobrevivem na capital ganha um significado ressonante. Se acreditamos na valorização da cultura do Brasil, na preservação do modo de fazer e na incumbência de preservar a cultura dos povos como legado para a humanidade e para todas as gerações futuras, valorizar e garantir que a identidade delas permaneça, é um compromisso com o qual já compactuamos no momento que decidimos que cultura é importante e um direito de todos. 

 

E a nós cabe celebrar a cultura ancestral do Brasil e contribuir um pouquinho para que ela não morra, e para que a nossa cidade abrace seu ativo mais atraente: o fato de que todas as culturas (urbanas, indígenas, migrantes, imigrantes) fazem dela uma potência cultural evidente na América Latina.

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Corrida de Rua: esporte barato e quarentena

A gente sempre gosta de dar dicas por aqui, de esportes baratos e fáceis de serem praticados, para não deixar ninguém de fora. E quer esporte com menos exigências de equipamentos do que a corrida? Pois é, essa modalidade que ficou tão popular nos últimos anos com a explosão das corridas de rua, não necessita nada além de um tênis. E a facilidade de praticar não se traduz em poucas vantagens: correr traz benefícios muito importantes para a saúde mental e física. Já no curto prazo é possível sentir mudanças no humor, na regulação do apetite e até na diminuição da pressão arterial. Mas além desses, resistência muscular, melhora do sono, longevidade, aumento da capacidade cardiorrespiratória, diminuição dos níveis de estresse e emagrecimento são outras vantagens de colocar o corpo em alta velocidade.

Essa modalidade não é nova. Desde que o homem consegue ficar ereto, correr é uma vantagem do ser humano para gasto de energia e sobrevivência. Mas, a medida que o homem foi se estabelecendo em locais fixos e se tornando sedentário, a corrida se tornou uma opção de atividade física. E muito necessária. Segundo a OMS, cerca de 80% dos adolescentes do mundo não praticam atividades físicas de forma adequada para a idade, e no Brasil, mais de 62% da população acima de 15 anos não pratica nenhuma atividade física. Em momento de isolamento social, essa condição foi ainda mais afetada, levando, até mesmo as pessoas que praticam, a deixar os exercícios de lado. E um dos nichos esportivos que foi grandemente afetado, foi o das corridas em grupo (muitas vezes simplificadas como corridas de rua) – um tipo de corrida grupal que acontece pelas ruas da cidade, em parques ou circuitos especiais.

Foi pensando em como as corridas de rua foram afetadas por esse momento e como as experiências da sua carreira o fizeram chegar até aqui, que decidimos bater um papo com o Fabio Munarin, um parceiro que já realizou eventos de esporte e lazer com a IMELC. O Fábio abriu a sua própria empresa de corrida de rua, a PowerMove, depois de quase dez anos trabalhando em agência de promoção e gestão de corridas e eventos esportivos. Em sua carreira, Fábio coleciona ações esportivas como campeonatos de Jiu-Jitsu, Basquete, Futebol e até a maior corrida de obstáculos do Brasil.

Dá uma olhada no nosso papo com ele:

 

IMELC – Pra gente começar, nesse momento de pandemia, como você foi afetado – no seu trabalho e como se adaptou ao momento?

Fabio – A projeção de eventos para minha empresa e a produção de eventos… foi tudo cancelado. Precisei despedir funcionário e reduzir todos meus gastos, a última receita recebida foi em Fevereiro de 2020. Tivemos que adaptar a um padrão mais baixo de vida e criando novos produtos dentro do cenário atual. Então, eu procurei outras áreas de trabalho e estou realizando curso on-line.

IMELC – Como têm se mantido saudável e se exercitando?

Fábio – Nesta pandemia os 3 primeiros meses foi muito complicado, minha movimentação era mais correr atrás da minha filha, após o quarto mês comecei a treinar na varanda e caminhar na rua.

IMELC – Falando um pouco sobre sua carreira, como você entrou para o universo das corridas?

Fábio – Um dia recebi um convite de um amigo para trabalhar na agência onde ele trabalhava e essa empresa realizava várias corridas de rua. Fui na entrevista e comecei a trabalhar na mesma semana! Fiquei encantado em poder trabalhar de bermuda e camiseta. A liberdade, a pressão de entregar um evento em poucos dias, acabou sendo uma adrenalina viciante. Eu aprendi muitas coisas sobre como lidar com a pressão e coordenar muitas pessoas em eventos.

IMELC – Quais foram as principais dificuldades que você encontrou para abrir o seu negócio na área?

Fábio – A maior dificuldade em abrir uma empresa de eventos é ter um capital de giro alto e conseguir patrocinadores para os eventos. No Brasil as grandes empresas não apoiam as pequenas porque ficam receosas de vincular a marca a uma empresa com um portfólio pequeno de eventos realizados.

IMELC – Você costuma praticar corrida?

Fábio – Sim, 3 vezes na semana.

IMELC – O que você percebe de benefícios que a corrida traz para a vida das pessoas?

Fábio – Hoje em dia a corrida se tornou uma terapia para os praticantes, e fora que ajuda a manter a forma com um custo baixo – você precisa apenas de um tênis.

IMELC – Você também sempre trabalhou com campeonatos esportivos. Conta um pouco sobre a sua experiência com esse lado do esporte e quais os aprendizados que você teve?

Fábio – Sim! Realizei alguns campeonatos de Jiu-Jitsu, tutebool, Basquete, Crossfit, e cada modalidade tem uma peculiaridade. Mas meu aprendizado maior foi ao ter um produtor que eu confiava ao meu lado. Parece brincadeira, mas quando você trabalha com pessoas melhores que você, o aprendizado é sempre melhor.

IMELC – Qual a experiência mais legal que você já teve, seja no trabalho ou nas corridas?

Fábio – Em um evento no Rio de Janeiro, eu estava coordenando uma corrida e fui abordado por um atleta. Logo de início achei que seria uma reclamação ou um pedido de alguma coisa. Respondi: “Bom dia! Posso ajudar?” [ficando irritado]. A pessoa respondeu que queria parabenizar a todos pela corrida. O Brasileiro não tem o costume de elogiar ou agradecer as pessoas que trabalham nos eventos, simplesmente por ter comprado a inscrição se acham no direito de desrespeitar quem está trabalhando.

IMELC – Quais os valores da corrida que você percebe como sendo imprescindíveis para a vida?

Fábio – Sem dúvida nenhuma a superação!

IMELC – Qual seu principal objetivo na área?

Fábio – Ter uma empresa reconhecida no mercado!

 

 

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IMELC lança plataforma Ingresso Social de acesso à cultura para crianças e jovens de projetos sociais

A entidade vai levar os atendidos para experimentar arte e cultura em peças de teatro, espetáculos de dança e muitos outros

Essa quarentena pode ter sido um balde de água fria para a cultura, mas depende do ponto de vista. A IMELC lança nessa semana o projeto Ingresso Social, uma plataforma colaborativa que possibilitará levar crianças e jovens atendidos por projetos sociais a experiências únicas que vão podem mudar a visão de mundo e da arte para quem precisa.

Com know-how e portfólio consistente na área de gestão de eventos e programas de esporte e cultura, há 10 anos a IMELC promove oportunidade de acesso, prática e transformação através da vivência com o esporte e a cultura. E por isso, o próximo passo nessa jornada foi intuitivo: fazer um projeto gerido e executado pela própria entidade e que pudesse ser sustentável e contínuo.

O ingresso Social é uma plataforma colaborativa que concentra recursos, entidades beneficiárias e parceiros culturais em um só lugar para conectar as pontas e beneficiar quem é a razão desse projeto existir: crianças e jovens com pouco ou nenhum acesso. A plataforma seleciona, através de um processo de checagem de idoneidade, entidades que queiram beneficiar seus atendidos e os conecta com atividades culturais que sejam apropriadas para a faixa etária e tenham cunho educativo, histórico e cultural. E o mais importante: a plataforma promoverá os passeios fornecendo transporte, alimentação e monitoria para garantir um passeio seguro e muito divertido.

O acesso à cultura e arte no Brasil não é fácil. Mais de 12 milhões de brasileiros nunca foram ao teatro e 10 milhões nunca foram ao museu, segundo dados do Instituto J.Leiva. E de acordo com dados do IBGE os jovens são um dos grupos sociais mais afetados pela falta de oportunidade de contato com o maravilhoso mundo da arte e cultura, que tem o potencial de incentivar a criatividade, o processo de aprendizagem, as funções executivas (como trabalho). 

Além disso, incentivar a cultura nas fases de crescimento e amadurecimento também tem impacto no futuro da sociedade, garantindo e alimentando novos talentos para a cultura brasileira e fomentando o mercado cultural, responsável por cerca de 4% do PIB brasileiro.

Primeira ação

A primeira ação do projeto aconteceu no dia 7 de setembro e levou 10 crianças para um sessão de teatro Drive-In de “Frozen 2”. Depois de meses em casa, a criançada se divertiu ao som das músicas que embalam a cultura pop infantil dos últimos anos, como “Livre Estou”. Lanchinhos, almofadas, máscaras e álcool gel foram oferecidos as crianças, que se mantiveram dentro dos carros, fazendo sempre uso da máscara. A noite, que baixou fria e perfeita para o espetáculo “congelante”, reservou algumas surpresas para os pequenos, como uma chuva de neve, jogos de luzes e os personagens mais queridos da franquia cantando ao vivo e amplificados através da frequência FM dentro dos carros.

Para que isso acontecesse,  todas as crianças da ação social da escola de samba Dragões da Real foram testadas para Covid-19 horas antes do espetáculo e se mantiveram em espaço controlado até o início da apresentação. Todos os monitores e profissionais que acompanharam a ação também foram submetidos a testagem, rendendo um dia de cultura e lazer para os pequenos, com muito cuidado, responsabilidade e, o que eles estavam mais preocupados: diversão!

 

 

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Mulheres nos games: maioria, preconceito e superação

Os jogos eletrônicos, games, e-sports e todas as suas variáveis invadiram a cultura digital mundial em uma onda que mescla entretenimento, competição, esporte e arte. Quem percebeu tarde esse traço da cultura mundial pode não saber que, no Brasil, acredita-se que 73% da população tenha se rendido aos jogos, que se adaptaram às plataformas como celular e computador. 

Um público dentro desse nicho chamou a atenção a partir de uma pesquisa realizada em parceria entre Go Gamers, ESPM e Blend New Research. O número de mulheres que jogam jogos eletrônicos no Brasil é de 69,8% segundo Pesquisa Games Brasil (PGB) – independentemente da plataforma. E de acordo com o mesmo estudo, as mulheres representam mais de 53% dos jogadores do país, tornando assim, o sexo feminino representante da maior parcela dos praticantes. Sendo que 38% se consideram jogadoras hardcore, com hábito de jogar. Esse número mostra algo que parece não ser claro para a indústria e para os jogadores do sexo masculino. Isso porque a percepção de que esse tipo de entretenimento é para meninos é um estigma que marca a modalidade e causa repercussões negativas para as mulheres.

Como em tantas áreas de trabalho, a desigualdade salarial é uma amostra de como o tecido social enxerga as mulheres. Estima-se que os homens jogadores profissionais recebam até 80% mais do que as mulheres, além da grande quantidade de campeonatos masculinos, que também têm grande visibilidade, atraindo assim, patrocínio, publicidade e mais oportunidades de crescer na área. Mesmo em campeonatos mistos, não é raro ver que mulheres podem receber prêmios de até 50% menos do que os homens. Além de serem rechaçadas, sendo que jogadoras ocasionais que optam, muitas vezes, por usar nicknames (apelidos) masculinos em jogos on-line.

Além de questões sociais, parte dessa explicação também pode estar no baixo número de mulheres envolvidas profissionalmente com a indústria de jogos – ou seja, na parte de criação, programação, entre outras áreas essenciais. De acordo com o Censo da Indústria Brasileira e Global de Jogos Digitais (2014), as mulheres representam 15% desses profissionais, taxa essa que ainda é maior do que de outros países.

E não só de taxa de representatividade feminina na indústria se alimenta a disparidade entre homens e mulheres. Um fator também tem sido colocado em xeque pelas mulheres: a representação física das personagens femininas. Como uma influência da indústria do entretenimento, com longa tradição em representar os corpos e personalidades femininos de forma exagerada ou fora da realidade, os jogos eletrônicos também foram impactados pelo ideal de corpo e beleza, que também causa estranhamento e desconforto para jogadoras.

No entanto, o burburinho das desigualdades mobiliza cada dia mais mulheres a falar sobre o tema e se posicionarem como jogadoras.

 

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Calistenia: o peso do corpo como principal ferramenta de exercício

 

Durante a pandemia da Covid-19, quem ama se exercitar e ainda não voltou para a academia, com certeza fica procurando oportunidades para treinar em casa com poucos recursos. Pois saiba que a Calistenia é uma opção pra isso.

Apesar de os exercícios praticados na Calistenia serem tão antigos quanto a própria prática consciente da atividade física, a modalidade de treino foi difundida apenas no século XIX, por um suíço chamado Phoktion Heinrich Clias, que por volta de 1822, organizou um método de exercícios físicos e levou seu treino para Inglaterra e França. Essa metodologia acabou sendo adaptada para academias, centros de treinamento, e sendo incorporada por outros métodos, como o do Crossfit dos dias de hoje.

A Calistenia é uma forma de treinamento que traz benefícios importantes para a vida saudável como: bem-estar, saúde e um melhor estilo de vida. Mas a Calistenia também se destaca por benefícios específicos que ela traz, como domínio corporal, grande definição e qualidade muscular: “é muito nítida a diferença [de um praticante de Calistenia] em relação a um praticante de musculação tradicional, porque a Calistenia deixa a pessoa mais slim, esbelta e com mais equilíbrio”, conta Pedro Mazzon, sócio da organização Calistenia Brasil. 

O Pedro teve seu primeiro contato com a Calistenia em 2013, quando conheceu seu sócio Luiz Otávio Mesquita (filho do apresentador Otávio Mesquita) com o qual começou a praticar a modalidade em parques da cidade até, um dia, decidirem se dedicar a levar os benefícios da Calistenia para o maior número de pessoas possível. 

Para conhecer mais sobre as experiências dele e a vantagem da prática, nós batemos um papo super legal que você confere abaixo:

IMELC – Quando você se envolveu com o mundo da Calistenia?

Pedro – Me envolvi em 2013, quando eu conheci meu sócio, Luiz Otávio Mesquita (filho do apresentador Otávio Mesquita) e começamos a praticar juntos no parque do Ibirapuera. As coisas se desenvolveram de tal forma que acabou resultando no Calistenia Brasil, a maior organização de Calistenia da América Latina.

IMELC – Quais são as ferramentas necessárias para a prática?

Pedro – Basicamente não precisa de nada além do próprio corpo. Os equipamentos mais tradicionais que costumamos usar são a barra fixa e o conjunto de barras paralelas. Mas é muito possível adaptar com utensílios e móveis de casa. É muito prático e conveniente. Se você vai para a praia ou não pode sair de casa, dá pra treinar. Por isso muita gente adotou a Calistenia durante esse momento de isolamento social. 

 IMELC – Ainda existe algum tipo de confusão sobre o que é Calistenia, o que é musculação, o que é Crossfit?

Pedro – Existe, sim. Ainda há uma grande confusão porque alguns equipamentos são similares ou os mesmos. O que muda principalmente é a qualidade de execução. Enquanto o foco da Calistenia é a qualidade, o do Crossfit, por exemplo, é a quantidade, mais focado em fazer o maior número de repetições no menor tempo possível. Na Calistenia, a gente prioriza que a pessoa faça uma, duas, três barras, mas faça direitinho, com uma técnica de execução que a gente chama de estrita, com força real.

IMELC – Existem competições de Calistenia no Brasil. Você costuma participar ou assistir as competições?

Pedro – Hoje em dia não é mais o nosso foco, mas já chegamos a organizar competições, inclusive Sul-Americanas. O lado competitivo da Calistenia é uma outra vertente, conhecida como Street Workout, que é um lado mais freestyle, mais acrobático, praticamente uma performance na barra. A Calistenia é mais uma metodologia de treinamento.

IMELC – Quem pode praticar esse tipo de atividade física?

Pedro – Ela tem uma vantagem muito legal que é poder transformar um exercício em muito fácil ou muito difícil. A maioria dos praticantes acaba sendo de pessoas que já tiveram contato com outras modalidades de treinamento por ela ser muito desafiadora e precisar de muita dedicação. Mas todo mundo pode começar. Os exercícios podem ser subdivididos em progressões, exercícios mais básicos, e é por isso, que a gente desenvolveu um passo a passo no nosso curso on-line, justamente para as pessoas iniciantes conseguirem desenvolver e desbloquear os movimentos. 

IMELC – A Calistenia pode ser praticada dentro de academias mas ela também tem uma vocação outdoors, né? Quais os benefícios residuais que isso tem na prática? 

Pedro – Muita gente pratica dentro das academias, mas a maioria prefere treinar outdoors. Não tem comparação. Você tem contato com a natureza, vai treinar e já pode levar o cachorro pra passear junto, a paisagem é muito mais bonita e o ambiente é muito mais agradável. Isso acaba desencadeando muito mais bem-estar, a pessoa pode se desconectar. É mais legal do que estar em uma sala fechada, cada um com seu fone de ouvido. A atividade para de ser uma obrigação e passa a ser um prazer.

 

IMELC – Ano passado a Calistenia foi uma das atividades disponíveis na Virada Esportiva de São Paulo. Qual a importância de trazer isso para o ambiente público, de acesso à modalidade?

Pedro – Nossa participação na Virada foi muito legal porque está muito ligado ao nosso propósito de tornar esse conhecimento mais acessível e disponível para o maior número de pessoas. Ainda falta muita informação para as pessoas…. a gente percebe isso vendo que até mesmo os profissionais de educação física não têm esse aprendizado na faculdade, e nosso papel é esse: tornar o conhecimento mais disponível e mais organizado.

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O Cenário dos e-games: entre mercados que mais crescem no mundo

Em momentos de pandemia de Covid-19, as práticas esportivas convencionais – que se fazem do encontro presencial e interação física entre jogadores – segue impossibilitada, mas desde antes dessa situação os jogos eletrônicos trouxeram uma nova dinâmica para o esporte: promover o encontro, a troca, a competição e a estratégia dentro do ambiente on-line.

Promover os jogos eletrônicos é não só contemplar uma tendência esportiva já abraçada pela população, mas também continuar fomentando as práticas esportivas durante a pandemia, de forma a trazer entretenimento e lazer qualificado e, principalmente, continuar fomentando os valores do esporte na sociedade. Além disso, essa iniciativa tem o potencial de alcançar crianças e jovens estimulando o uso recreativo qualificado do ambiente on-line, ou seja, que não tem valor de uso do jogo, mas de também abraçar o interesse deles, oferecer um ambiente seguro para prática, além de promover valores saudáveis do esporte como competição, desenvolvimento da cognição, autorregulação do comportamento, atenção e persistência.

Estima-se que, no Brasil, 66% da população seja de jogadores de jogos eletrônicos, segundo pesquisa Game Brasil 2019, realizada pela Sioux Group, Blend News Research e ESPM. O país é também o 13º maior mercado de jogos eletrônicos do mundo segundo pesquisa da consultaria Newzoo – maior consultoria de análise de jogos e e-esportes do mundo. Esses são apenas dois dos dados que mostram que os jogos eletrônicos chegaram no Brasil para ficar e o tamanho do potencial da área.

A perspectiva de crescimento do mercado de games no país é de 5,3% até 2022. Em 2019, o faturamento do setor no país atingiu 1,5 bilhão de dólares, mantendo a posição de líder latino-americano e 13º na classificação global. Além disso, em 2018, o faturamento dos games ficou em torno de 134 bilhões de dólares, enquanto a de cinema ficou em 41 bilhões.

A onda de jogos eletrônicos, que cresce cada vez mais, mostra suas tendências na população mais jovem. No Brasil, crianças e jovens de 10 a 20 anos que consomem futebol chega a 24%, enquanto que 43% na mesma faixa etária, consome games, de acordo com o relatório 2018 Global Esports Market Report, da Newzoo. E não é só isso. Em 2019, o número de espectadores no mundo teve um aumento de 16% – taxa que nenhum outro mercado de entretenimento vê de forma tão acentuada, o que mostra a capilaridade da área.

São indicações como essa que mostram o quanto o Brasil e o mundo está preparado para absorver e desenvolver essa modalidade esportiva, que caiu como uma luva aos tempos de pandemia.

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Gustavo Robert – Música no Palco e expressão de fé

Já houve algumas vezes em que falamos sobre colaboradores da IMELC em atividades artísticas paralelas – sejam projetos pessoais, hobbies ou outros trabalhos artísticos – e nas quais eles se mostram além de um agente de suporte e ensino, mas também como protagonistas da sua própria arte. E hoje trazemos uma história assim!

O Gustavo é um colaborador da IMELC que está envolvido com o trabalho da entidade, de fomento às artes para crianças e jovens, só que de um jeito que não estamos acostumados a mostrar: no atendimento e na parte administrativa das atividades. Mas quem não conhece o jovem não pode imaginar a sua potência e talento em cima dos palcos. O Gustavo canta! E não é para pouca gente, não.

Nascido em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, os primeiros passos no mundo da arte começou cedo. A presença da música era rotina na família paterna, formada por cantores e instrumentistas que exerciam seus talentos no contexto da fé. De família cristã com forte atuação na igreja, o jovem se lembra dos primeiros contatos com essa arte: “quando eu era pequeno meu pai tinha uma banda com os meus tios e uns amigos da igreja e eu lembro de ir no estúdio com ele e acompanhar o trabalho”, relembra com carinho.

Desde criança, Gustavo também foi mostrando sua vocação. Já no grupo de crianças, na igreja, começou a fazer os seus primeiros solos, “com muita vergonha” – diz com embaraço – mas sempre contando com a ajuda do pai que, com experiência e técnica, o ajudava a superar o desafio e vencer as dificuldades aos pouco. “Ele foi a minha maior inspiração, e eu queria mesmo cantar igual ele. Então eu fui pegando gosto e meu amor pela música nasceu de tudo isso”, explica o artista.

Apesar de já ter uma atuação na igreja do pai, acompanhar a mãe em outra igreja cristã também era uma prática frequente, e lá, a presença de músicos e cantores profissionais do mundo gospel, passou a chamar a atenção do jovem cantor, além de também viver experiências de fé importantes e transformadoras para seu desenvolvimento pessoal e espiritual nesse período.

Por ser muito tímido, não conversava muito com as pessoas por lá e nem falava sobre o seu talento. Mas foi um dia, em um encontro da igreja que foi convidado a participar, que as coisas mudaram. Durante uma canção, sua voz se destacou, e os outros passaram a notar sua habilidade. Pouco tempo depois, em um culto para muitos jovens, veio a primeira oportunidade quando, a líder do grupo na época, o chamou para subir ao palco: “Eu não sabia onde enfiar a cara. Fiquei muito nervoso e desafinei. Nossa, eu fiquei muito triste porque sempre gosto de dar o meu melhor. Todo mundo me apoiou, mas eu sabia que tinha dado gafe! [riso]”, conta em tom de divertimento.

As oportunidades de cantar em alguns cultos foram surgindo, e finalmente, de fazer uma audição para o Ministério de Louvor da igreja – denominação cristã que conta com grande número de membros, uma estrutura artística robusta e muitas conferências e eventos importantes para o exercício de fé da comunidade E, para Gustavo, a oportunidade de desenvolver seu talento também. Por nunca ter tido aulas de canto e ter pouco conhecimento de instrumentos, não foi fácil a adaptação e evolução para um contexto mais profissionalizado dentro da igreja, com a presença de grandes músicos e profissionais do ramo. “As oportunidades pra eu cantar mais foram aparecendo e foi aí que as coisas começaram a ficar mais sérias, porque eu tinha que dar o meu melhor… eu estava ao lado de profissionais e de grandes referências pra mim”, diz. Mas com o tempo e muito esforço, o talento foi se aperfeiçoando, e com isso, também a sua fé: “toda vez antes de cantar eu faço uma oração para que quando eu cantar, não seja algo pra mim, mas pra Deus, e que as pessoas sintam isso através do meu cantar. Isso sempre acontece e todo dia uma experiência nova”, completa.

Confira abaixo um pouco da sua rotina com a música e o impacto da pandemia na sua rotina musical como prática religiosa e paixão.

IMELC – Como é sua rotina de preparação vocal?

Gustavo – Eu costumo fazer inalação porque limpa um pouco [a passagem de ar]. Dependendo do que você come ou da temperatura, às vezes pode prejudicar na hora de cantar. Além disso eu faço exercícios de aquecimento antes, para não machucar as cordas vocais, e até exercícios para desaquecer quando termino.

IMELC – Qual sua ambição como cantor?

Gustavo – Não tenho muitas ambições. Quando eu estou cantando ou ouvindo música, eu me entrego muito, mas tento só viver um dia após o outro, deixar tudo nas mãos de Deus.

IMELC – Nesse momento de pandemia, as igrejas e todos os outros espaços de eventos, palestras e arte ficaram parados. Como foi esse momento pra você?

Gustavo – No começo estava tudo muito parado, mas depois, todo mundo de máscara, com medidor de temperatura e álcool em gel. Só a banda, pessoal da mídia e os pastores indo. Nesse período, eu estudei bastante pra aperfeiçoar meus pontos fracos. Esse foi um momento de aprendizado e que, acabou sendo bom.

IMELC – Como ficou a questão dos ensaios?

Gustavo – A gente ficou muito tempo sem ensaiar. Logo no começo, iam só dois cantores e o tecladista [para a transmissão on-line] e a gente só tinha 20 minutos para passar a música… tudo bem em cima. Voltamos os ensaios há pouquíssimo tempo. Mas os cultos continuam on-line.

 

IMELC – Você também trabalha, no dia a dia, com a arte e o impacto social dela. Como você percebe o papel da arte na vida das crianças, jovens e adultos no seu trabalho?

Gustavo – [A arte] é muito importante! Através da pintura, da música, da dança, as pessoas conseguem se expressar, e ela serve não só pra aprender, mas pra tudo – para a maturidade e crescimento. Ela traz amizades novas e ela traz alegria! Eu nunca vi uma criança fazendo aula de dança, circo ou pintando, que esteja triste. Elas estão sempre conversando, interagindo um com o outro. Eu costumava acompanhar algumas aulas e hoje quando as crianças me vêem na rua, vêm me perguntar: ‘tio, quando voltam as aulas?’ É muito legal ver que elas sentem saudade das aulas presenciais. O mais gratificante é ver o sorriso deles, porque significa que isso traz alegria pra eles e até pra família porque aproxima mais os pais dos filhos.

IMELC – O que a música significa pra você?

Gustavo – Música significa muito pra mim. É arte, é vida. Quando eu estou ouvindo, eu posso pensar mais, aflorar meus sentimentos, assim pra mim como pra todo mundo [risos]. Quando eu cantava uma vez por semana, eu ficava ansioso para a próxima semana, porque era uma sensação muito, muito boa mesmo.

 

 

 

 

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O que é e-Sports?

Crédito da Imagem: Reprodução: ESL
Brasil tem a terceira maior audiência do mundo em e-Sports, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

Resumidamente, o e-Sports é a modalidade competitiva dos videogames. A origem das competições de games surgiram na mesma época que os fliperamas se popularizaram. Esses lugares eram palco das disputas entre os jogadores, e ganhava)quem fazia a maior pontuação em jogos como Spacewar (1962), Pac-Man (1980) e Donkey Kong (1981). A primeira competição foi em 1972, de Spacewar, na Universidade de Stanford, nos EUA.

Na Coreia do Sul, em 2000, nasceu a Associação Coreana dos eSports, que gerencia eventos, regulariza e organizar transmissões, incentivar o interesse pelos esportes eletrônicos da população asiática e realiza vistorias para avaliar as condições de trabalho dos jogadores profissionais.

Jogos como Counter Strike, LOL (League of Legends), Valorant, Fifa e Free Fire fazem com que diversos adoradores de games parem o que estão fazendo  para verem seus ídolos jogando.

Desde 2017, a emissora Sportv está colocando em sua programação a transmissão de alguns campeonatos. Outra emissora que está investindo na parte ‘’gamer’’ é o Esporte Interativo, que lançou em 2017 o programa EI Games.

Segundo um estudo da Newzoo, consultora do mercado de games, o e-Sports movimentou mundialmente US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) em 2019 e deve se aproximar de US$ 1,5 bilhão (R$ 8,3 bilhões) neste ano.

Em uma matéria realizada pelo veículo, EL País, “A audiência dos Jogos Olímpicos tem caído em mercados importantes, como o dos Estados Unidos, sobretudo entre o público mais jovem. Os ‘esports’ poderiam ser um bom meio para se conectar com os jovens desconectados da televisão tradicional.”

O e-Sports apresenta sinais de que pode se tornar o esporte do futuro. A cada dia, a tecnologia está evoluindo e isso contribui para o crescimento e evolução dos games com mais acessibilidade, com melhores jogabilidades e com  jogos cada vez mais realistas.