Mulheres nos games: maioria, preconceito e superação

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Os jogos eletrônicos, games, e-sports e todas as suas variáveis invadiram a cultura digital mundial em uma onda que mescla entretenimento, competição, esporte e arte. Quem percebeu tarde esse traço da cultura mundial pode não saber que, no Brasil, acredita-se que 73% da população tenha se rendido aos jogos, que se adaptaram às plataformas como celular e computador. 

Um público dentro desse nicho chamou a atenção a partir de uma pesquisa realizada em parceria entre Go Gamers, ESPM e Blend New Research. O número de mulheres que jogam jogos eletrônicos no Brasil é de 69,8% segundo Pesquisa Games Brasil (PGB) – independentemente da plataforma. E de acordo com o mesmo estudo, as mulheres representam mais de 53% dos jogadores do país, tornando assim, o sexo feminino representante da maior parcela dos praticantes. Sendo que 38% se consideram jogadoras hardcore, com hábito de jogar. Esse número mostra algo que parece não ser claro para a indústria e para os jogadores do sexo masculino. Isso porque a percepção de que esse tipo de entretenimento é para meninos é um estigma que marca a modalidade e causa repercussões negativas para as mulheres.

Como em tantas áreas de trabalho, a desigualdade salarial é uma amostra de como o tecido social enxerga as mulheres. Estima-se que os homens jogadores profissionais recebam até 80% mais do que as mulheres, além da grande quantidade de campeonatos masculinos, que também têm grande visibilidade, atraindo assim, patrocínio, publicidade e mais oportunidades de crescer na área. Mesmo em campeonatos mistos, não é raro ver que mulheres podem receber prêmios de até 50% menos do que os homens. Além de serem rechaçadas, sendo que jogadoras ocasionais que optam, muitas vezes, por usar nicknames (apelidos) masculinos em jogos on-line.

Além de questões sociais, parte dessa explicação também pode estar no baixo número de mulheres envolvidas profissionalmente com a indústria de jogos – ou seja, na parte de criação, programação, entre outras áreas essenciais. De acordo com o Censo da Indústria Brasileira e Global de Jogos Digitais (2014), as mulheres representam 15% desses profissionais, taxa essa que ainda é maior do que de outros países.

E não só de taxa de representatividade feminina na indústria se alimenta a disparidade entre homens e mulheres. Um fator também tem sido colocado em xeque pelas mulheres: a representação física das personagens femininas. Como uma influência da indústria do entretenimento, com longa tradição em representar os corpos e personalidades femininos de forma exagerada ou fora da realidade, os jogos eletrônicos também foram impactados pelo ideal de corpo e beleza, que também causa estranhamento e desconforto para jogadoras.

No entanto, o burburinho das desigualdades mobiliza cada dia mais mulheres a falar sobre o tema e se posicionarem como jogadoras.