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IMELC na quarentena – ajudando a promover arte on-line

A gente tem falado bastante sobre experiências inspiradoras que estão abalando (para o bem) iniciativas de esporte e cultura, principalmente nesse momento de quarentena. E aí pensamos: mas e a nossa experiência de impactar socialmente as pessoas nessa realidade? Pois é! Então vamos te contar nossa parte nisso tudo!

A IMELC – Instituto Movimento ao Esporte Lazer e Cultura, tem dez anos de atuação em promover o acesso da população às atividades esportivas e culturais, porque a gente acredita que essas atividades não são meros passatempos, mas são peças-chave para um aprendizado eficaz, pensamento cidadão crítico e satisfação pessoal, além de serem potencializadores de talentos. E tudo isso gera impacto na vida em sociedade.

Mas como continuar gerando esses impactos separado das pessoas? A resposta é simples: boa vontade, atuação em conjunto e tecnologia.

A entidade faz a gestão do programa Arte e Cultura Barueri, com mais de 6 mil alunos, promovendo em conjunto com a Secretaria de Cultura e Turismo de Barueri, mais de 30 modalidades divididas entre dança, teatro, artes visuais e música. Pensando em continuar a vocação artística do programa, os professores da IMELC junto com a Secretaria de Cultura e Turismo de Barueri tem achado no Youtube uma forma de continuar ensinando as modalidades. Já são mais de 200 videos disponíveis.

 

No começo, ninguém sabia muito bem como fazer o Arte e Cultura Barueri continuar através do digital. O programa sempre teve como um diferencial a experiência viva da arte, com professores engajados e disponíveis para a construção do aprendizado e da convivência diária. Mudar para o digital parecia quase contra intuitivo, mas o trabalho dos professores foi adaptado criando:

1- rotinas de gravações de aulas e conteúdos exclusivos para as redes sociais;

2- desafios que estimulassem a interação dos alunos com os professores;

3- vídeos comemorativos ou temáticos que encorajassem os alunos a treinarem para participar.

E esse trabalho acabou gerando consequências positivas além do aprendizado. Denise Garcia, aluna de zumba das oficinas, conta que as aulas on-line têm ajudado na parte emocional: “as aulas têm sido essenciais para nós porque é o momento que temos para descontrair”. Ela também conta que fazer os exercícios acabou interessando também as filhas: “ano passado, a professora fez uma aula para mães e filhas e as minhas se interessaram pela zumba, agora, em casa, sempre que eu vou fazer aula, elas fazem comigo e ficam super animadas”.

O trabalho acabou se expandindo para além dos tema das aulas, criando uma rede de colaboração e aprendizado (da arte e da vida) entre professores, alunos e funcionários da IMELC que segue firme e forte. Por meio de posts com dicas de receitas, filmes, curiosidades de modalidades, trabalhos de arte e mensagens de carinho, os professores têm compartilhado carinho  e risadas com os alunos e mostrado que aqueles abraços, bate-papo e sorrisos estão guardados para quando tudo voltar ao normal, como conta a professora Rebecca Numa em vídeo na rede: “eu estou morrendo de saudades. Mas daqui a pouco tudo isso passa e a gente volta a se encontrar. Um beijo cheio de saudades”.

 

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Dança, fé e quarentena: Conheça a Cia Extensão

As expressões artísticas são tão inerentes ao ser humano que elas permeiam a sociedade,  a vida, as relações, a educação e até a . E é pensando nisso,  em todas as dimensões da vida que a arte (ah a arte!) faz questão de se manifestar, que hoje vamos contar um pouco mais sobre a Companhia Extensão, companhia cristã de dança que busca nos movimentos uma forma de atingir as pessoas com amor, esperança e fé.

A Cia Extensão nasceu de um grupo de amigos bailarinos e dançarinos com o principal objetivo de criar trabalhos relevantes e que levassem esperança, amor, alegria e motivação. Hoje o grupo conta com 15 membros que, entre um passo e outro, buscam mais do que só dançar: “Amamos servir as pessoas com o ensino e a arte”, conta Dae Ellen Castilho, diretora da Cia.  A vocação religiosa da companhia já fez seu trabalho alcançar lugares como congressos, igrejas e eventos.  Mas a fé, no grupo, é muito mais do que uma oportunidade de penetrar lugares. É um fator essencial para a missão e modo de expressar a arte: “Deus é o criador de todas as coisas, e nós escolhemos ser artistas que levam as boas novas de tudo o que Jesus nos ensinou”, diz a diretora. E a missão de usar a dança como veículo de esperança para as pessoas se intensificou ainda mais na quarentena: Temos visto que as artes tem entretido, aliviado, motivado, animado e impactado as pessoas que estão em casa nesse tempo. É o veículo de diversão, de escape”, avalia.

A pandemia, como em toda a área de cultura, atingiu a dinâmica de trabalho e agenda do grupo. As atividades pararam no dia 16 de março e, mal poderiam imaginar que as coisas seriam tão difíceis. Nos planos para esse ano, foram cancelados cinco eventos que já estavam em vista e alguns clipes que seriam gravados ainda no primeiro trimestre. No momento, aulas, reuniões e ensaios de coreografias acontecem por videoconferência.

Figurinos: Carolina Vecchi (membro) desenha todos os nossos figurinos e a Lenny Correia confecciona

 

Um dos membros da Cia Extensão é a Tainá Portugal, professora de balé e jazz do Arte e Cultura Barueri. Membro desde 2019, a bailarina foi convidada pela diretora a integrar o grupo: “Eu estava parada por conta da faculdade. Foi uma grande felicidade. É diferente fazer parte de uma companhia porque a gente busca mais técnica e busca ser um exemplo. É mais responsabilidade, mais compromisso”, conta a professora, que começou na companhia como estagiária, e hoje, faz parte dos membros fixos.

Na vida de bailarina, a motivação e o esforço são determinantes, e nesse momento se tornam um grande desafio: “a motivação é complicada, as distrações em casa são maiores. A gente tem tentado um motivar o outro, tentado fazer aulas diferentes de fortalecimento e condicionamento”, conta Tainá.  Nesse processo, a compreensão da família é fundamental:  “nossas famílias entendem porque [já estavam acostumados com a rotina] de compromissos. Às vezes temos que adaptar algumas coisas, pedir para liberar a internet ou usar outro celular”, relata.

Assim  como para todo mundo, pensar no amanhã não é tão fácil nesse momento. Por enquanto, a companhia tem vivido um dia de cada vez, mas ousando um pouquinho em pensar sobre o que vem pela frente: “quando tudo passar, cremos que viveremos um novo normal, com novos hábitos, prioridades e atitudes. Queremos continuar nossos projetos dos clipes, espetáculos e ações sociais”, finaliza Dae Ellen.

 

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Jiu-Jitsu, Artes Marciais na quarentena e os quatro fatores de checagem na luta e na vida

A intenção dessa conversa com o Luciano Sabato, treinador de Jiu-Jitsu, era ser transformada em um texto sobre a visão do Jiu-Jitsu em relação à quarentena, mas acabou virando um papo sincero sobre as lições das Artes Marciais para a vida e o que esperar do futuro. Por isso, decidimos colocar na íntegra o depoimento do Sabato.
Depoimento de Sabato para IMELC
O esporte na vida

Eu tenho 45 anos, tenho 2 filhos, sou formado em educação física e as artes marciais estão na minha vida há 25 anos. Eu comecei aos 20 com uma arte chinesa chamada Wing Chun (Ving Tsun), um sistema de Kung-Fu que parte do princípio da simplicidade, não tem competição. É trabalhado nela, um dispositivo, uma ferramenta de desenvolvimento humano.

Meu objetivo nas artes marciais desde o início não foi de aprender a me defender ou por gostar de competições, até porque eu comecei mais tarde, não era como os garotos que começam mais cedo com essa vontade. Eu comecei porque estava procurando um equilíbrio na minha vida. Cheguei a participar de algumas competições, mas nunca foi meu foco principal. Eu fui campeão paulista, vice-campeão mundial, ganhei desafios, fui campeão do circuito do interior de São Paulo, campeão brasileiro. Mas tudo, eu já era mais velho. Eu fui competir só a partir de 30 anos.

Hoje o trabalho que eu desenvolvo é com o Jiu-Jitsu, que tem um enfoque forte na competição, mas esse nunca foi o nosso objetivo principal. Eu deixo meus alunos muito à vontade para participar de competições ou não porque meu objetivo continua sendo o desenvolvimento humano, o equilíbrio que as artes marciais podem trazer. Então todo aprendizado na academia, a gente faz uma analogia com a vida.

Vencer

Eu acho que a maior vitória que a gente pode ter é vencer a nós mesmos. Vencer os nossos desafios pessoais, nossos problemas, angústias, desequilíbrios. É esse o benefício imenso que as artes marciais trazem: as ferramentas para aplicar no dia a dia.

Quem usa a arte marcial apenas como esporte de combate, para competição e sem muita filosofia, [vai ter benefícios] por um tempo curto na vida da pessoa. Ela provavelmente vá ser atleta por uns dez anos, 15 anos se for muito. Então tem que pegar essa ferramenta, que é pra vida, e aplicar no dia a dia, senão é muito pouco – um período muito curto e absorvendo pouco daquele universo que são as artes marciais.

Fatores de checagem: da luta para a vida

Eu tenho quatro fatores de checagem que eu utilizo para um treino e posso utilizar pra vida: posicionamento, distância, timing e energia.

O primeiro fator, posicionamento, é como a gente se posiciona na vida. Aliás, o posicionamento não é só como a gente se enxerga, mas como o outro enxerga a gente também. Por exemplo, se você vai em uma reunião de negócios, mas não está vestido de acordo com o local. Isso é um erro de posicionamento.

A distância é respeitar e não invadir o espaço do outro. O timing é sobre o momento certo de fazer algo.A energia é aquilo que a gente coloca nas coisas.

E os quatro se complementam. Às vezes, você se posiciona bem, mas coloca energia demais e acaba estragando tudo. Às vezes se posiciona bem, coloca a energia correta, mas erra no momento de falar. Às vezes está tudo certinho, mas você está na distância errada.

Esses fatores de checagem são super importantes.

Pandemia na Arte Marcial

A Arte Marcial é trabalhada através do movimento, não só da filosofia. A gente mostra através do corpo. Então arte marcial sem contato físico, pode esquecer. Mas na pandemia, não tem isso e temos que trabalhar outros aspectos. Eu acho que os professores que não desenvolvem esses outros aspectos [não físicos], tem que começar a desenvolver porque se sustenta arte marcial sem o corpo, sem o combate simbólico? Não. Mas se agora não pode, vamos trabalhar outra coisa.

O Bushido [o caminho do guerreiro – código de vida de um Samurai] fala sobre o caminho da pena e da espada. Então vamos usar a pena agora, buscar o outro lado das coisas. O lado do estudo e do autoconhecimento.

Para o futuro, eu vejo as pessoas buscando um trabalho mais personalizado, cuidar mais da saúde, buscar mais segurança nos locais – uma assepsia maior, higiene maior – e isso só traz benefício.

As aulas on-line também não vão acabar, mas podem ser uma ferramenta de complemento, porque nada substitui o contato físico na arte marcial. O personal trainer ou personal fighter vai ter bastante oportunidade.

Eu acho que tudo isso tem um lado muito positivo. Na arte marcial a gente se desenvolve através da crise, do combate simbólico. Sem uma crise, não há desenvolvimento. A gente está numa baita crise, então vamos voltar mais forte. A chance é de enxergar as alternativas que tem e através delas se desenvolver. Quem encontrou isso na pandemia vai crescer e evoluir.

 

Situação do Jiu-Jitsu

A Federação Internacional de Jiu-Jitsu, que rege a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu, cancelou os campeonatos esse ano. Eu acho que não é o momento de pensar sobre eles. Para quem trabalha com atletas profissionais, vai ser difícil. Para esses atletas, [é hora de] pensar em outros formatos. Para os patrocinadores, [é hora de] dar o apoio já que agora os profissionais não podem competir.

No meu contexto, [não trabalhar com atletas profissionais], acho que agora é momento de pensar no nosso espaço, nossa academia, o quanto a gente pode se ajudar. As diferentes bandeiras podem se unir para colocar o Jiu-Jitsu em primeiro lugar.

Presença digital

A presença digital tem sido fenomenal. Nunca usei tanto as redes sociais como agora. Tenho feito bastante lives, conversado com grandes nomes das Artes Marciais. Está sendo um aprendizado enorme. Através da minha marca de kimono, a Black Ball, também vou começar a fazer lives de conteúdo. Isso tem ajudado muito. As pessoas que quiserem aprender nessa área, fantástico. Eu mesmo estou fazendo uma pós-graduação à distância. E acho que a gente acelerou uns 20 anos nesse aspecto.

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PCD e a pandemia: PEAMA usa arte para continuar incentivando alunos do programa

Esse é um momento em que todos procuram entender qual o próximo passo, qual o tamanho da adaptação necessária, como inovar e continuar impactando positivamente o mundo e os outros. E é justamente por isso que a história de sucesso do Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas (PEAMA) ganha uma força tão renovadora.

O programa nasceu em 1996 como uma iniciativa da Unidade de Gestão de Esportes da cidade de Jundiaí, com o objetivo de promover inclusão da pessoa com deficiência através do esporte. Hoje são 390 pessoas atendidas e são oferecidas modalidades como: natação, atletismo, bocha, tênis de campo, dança, capoeira, corrida de rua, ciclismo, caminhada, atividades náuticas, escola da bola, futsal, goalball e ginástica rítmica.

Com a paralisação causada pelo isolamento social e a falta do contato presencial, a ideia de uma mãe fez toda a diferença: por que não usar a arte para continuar impactando os alunos através da releitura de obras de arte e até de esporte? 

A ideia ganhou as redes sociais através do grupo Tussen Kunst & Quarentine, grupo holandês que começou a propor uma releitura das obras por pessoas comuns. Já no PEAMA, os alunos e suas famílias não exitaram em deixar a criatividade rolar solta e participar da iniciativa que se transformou no projeto “Arte no PEAMA”. E essa fama já chegou longe: uma das releituras foi selecionada pelo Canal Arte1 como uma das melhores e até a chamar atenção de outras cidades.

Já faz um tempo que a arte e o esporte se cruzam no PEAMA. Para César Munir, diretor do departamento de esporte adaptado da prefeitura de Jundiaí, a relação entre arte e esporte está em incentivar e demonstrar potencialidades: “a gente tem, realmente, essa relação com a arte, porque, a arte, assim como o esporte, é uma forma de demonstrar as possibilidades da pessoa. E isso independe de ter uma deficiência ou não.”, observa César. “[A arte e o esporte] mostram primeiro para a pessoa com deficiência, depois para a família, depois para a sociedade as reais possibilidades que eles têm, e acho que esse também é o impacto social [da iniciativa]”, completa.

Apesar da repercussão do projeto e os benefícios para a criatividade, na área do esporte os desafios ainda são grandes. Trabalhar com a prática esportiva para pessoas com deficiência depende muito da correção presencial e demonstração dos movimentos, e por isso, a adaptação para a realidade pós-pandemia ainda vai levar um tempo para acontecer. No momento, o trabalho com os alunos têm sido direcionado a passar exercícios para que eles continuem ativos em casa, além do acompanhamento e apoio às famílias e alunos.

Mas foi no final da conversa que César nos surpreendeu com uma observação que faz toda a diferença para nossa percepção do impacto da pandemia na vida de pessoas com necessidades especiais, e por isso mesmo, a gente decidiu colocar esse trecho na íntegra. Acompanhe abaixo:

“A gente tem percebido que a pessoa com deficiência, naturalmente, tem uma capacidade de suportar esse contratempo, essa dificuldade, mais do que nós, porque é uma pessoa mais acostumada a ter obstáculos colocados à sua frente durante toda a vida. A pandemia trouxe só mais alguns. Na vida, a pessoa com deficiência está acostumada a ouvir muitos “não”. Uma família com criança com deficiência tem muito essa experiência. Elas estão muito acostumadas a lidar com essa situação de não poder fazer algo. E nesse momento, eu percebi o quanto essas pessoas estão mais preparadas pra lidar com isso.”

 

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#Quarentena – A rotina da bailarina durante o isolamento

Por Marina Bueno

Meu nome Marina Bueno, tenho 15 anos e sou bailarina.

Primeiramente, é evidente que a pandemia do novo Coronavirus trouxe consigo inúmeras consequências que afetaram e modificaram a vida e o dia a dia de muitas pessoas. Eu, como bailarina e com uma rotina muito corrida, senti bem o impacto dessas mudanças.

Logo no início do isolamento social, minha rotina mudou totalmente. Fui do costume de ir a aula de segunda a sexta para [o total oposto de] não ir a nenhuma aula. 

Aos poucos, tudo foi se ajeitando. Minha escola proporcionou aulas via live no Instagram, conteúdos gravados no YouTube e aulas monitoradas via zoom. Pouco tempo depois já estava tendo aulas todos os dias da semana, como de costume.

Mas, com certeza, esse não foi o único desafio a ser superado. O ambiente e o espaço de casa não é tão propício e nem semelhante ao que temos na sala da escola de dança. Foi necessário adaptar tudo, mudar os móveis de lugar, abrir espaço, pedir para a família deixar o cômodo livre no horário de aula, improvisar uma barra, e muito mais. Mas no final é possível fazer as aulas, mesmo nessas circunstâncias, aproveitá-las ao máximo e manter a disciplina.

Entretanto, toda essa situação também afeta o psicológico. Deixar de ir à escola de dança, não ver mais meus amigos e professores pessoalmente, coisas que incentivam e, com certeza, fazem parte da dança, mexem com a motivação e a vontade de praticar em casa. Mas, com o passar do tempo, estamos nos mantendo cada vez mais conectados, mantendo a saudade como possível, e motivando uns aos outros.

Além disso, acredito que a área mais afetada tenha sido os ensaios do corpo de baile e festivais que costumo participar. Em relação aos ensaios, estou tentando passar as coreografias durante a semana para não esquecê-las e lembrar das correções feitas presencialmente, já que não tem sido possível realizar os ensaios on-line. Em relação aos eventos, muitos foram adiados ou cancelados, enquanto outros estão promovendo competições e mostrar pela internet. Mas, apesar disso, as competições presenciais, as viagens de ônibus, os figurinos, os palcos, os aplausos e o frio na barriga antes das apresentações estão fazendo muita falta.

Mal posso esperar até que tudo volte ao normal.

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Qual a diferença entre empreendedorismo social e terceiro setor?

 

Você, como nós, pode já ter se deparado com a dificuldade de entender a diferença entre empreendedorismo social e terceiro setor. Tudo bem, dá pra entender que as duas coisas têm propostas que, muitas vezes, se relacionam com impacto social em algum nível, mas até onde vai as semelhanças e diferenças entre as duas coisas?

É importante lembrar que o Terceiro Setor é um formato de organização sem fins lucrativos. Dentro do Terceiro Setor estão várias organizações de direito público, fundações, cooperativas, organizações religiosas, associações, entre outras. Dentro dessa diversidade de organizações, saber o que as classifica como uma forma de empreendedorismo social é uma tarefa que não é tão fácil assim e por isso, decidimos recorrer a quem sabe do assunto para nos explicar melhor: afinal, Terceiro Setor e Empreendedorismo Social são a mesma coisa?

 

Nosso bate-papo com o prof. Dr. Mario Aquino Alves, professor de Administração Pública da FGV, aconteceu através da internet e você pode conferir essa conversa abaixo.

 

IMELC Parece que quando a gente fala de empreendedorismo social, as pessoas se referem a isso como um modelo de negócio, mas às vezes também parece com um valor, ou seja, quem empreende socialmente em qualquer modelo de negócio seria um empreendedor social. É isso?

Sim. O Terceiro Setor se refere a um formato organizacional com vários tipos de organização como fundações, cooperativas, ONGs, organizações de direito público, entre outras. Já empreendedorismo social é uma forma de empreender, que tem o objetivo de mudar o status quo, ou seja, você tem um problema social e quer mudar isso, e pode ser por meio de uma empresa, um negócio social. Ou até mesmo se está buscando isso dentro de um contexto sem fins lucrativos. As duas formas são empreendedorismo social.

Então, às vezes, as atividades de Terceiro Setor e empreendedorismo social são convergentes e às vezes, não. São conceitos paralelos que se relacionam, mas um não está dentro do outro.

 

IMELC O que é, então, empreendedorismo social?

Empreendedorismo Social é um forma de empreender direcionada a objetivos sociais e coletivos e tem similaridades com o empreendedorismo privado. Mas há particularidades como: ações inovadoras para o campo social; missão de solucionar questões locais da comunidade; e ele não acontece no vácuo, mas precisa de um ecossistema pra acontecer, sejam empresas, governo, comunidade local ou outras organizações de terceiro setor. A atividade empreendedora social pode acontecer em vários nichos, até dentro de governo. Por exemplo, durante a epidemia do coronavirus, um hospital público encontra uma solução de transformar garrafas pet em equipamento de proteção. Isso é uma atividade empreendedora social.

 

IMELC Quem são os empreendedores sociais?

Eles são pessoas que tem a missão de manter um valor social e a medida principal deles é o impacto social; eles identificam e buscam novas oportunidades; e estão sempre engajados no processo de inovação, adaptação e aprendizado. Além disso se preocupam muito com a transparência, com a demonstração de retorno social e econômico, fazem uso eficiente de recursos e atraem parcerias e colaborações. Tem um senso ético forte também.

 

IMELC Então, a contrapartida do empreendedorismo social seria sempre lucro + valor social?

Não necessariamente ter lucro. O que tá mais ligado ao empreendedorismo social é a inovação voltada a atingir e mudar uma realidade social. Em alguns casos pode ter um retorno lucrativo, nada impede. Aliás, é muito comum iniciativas que começam sem fins lucrativos e acabam migrando para uma forma de negócio social. Mas doação não é empreendedorismo social, não está ligado a buscar inovação para gerar impacto social. Por isso, pra falar de empreendedorismo social é preciso atentar pra natureza do que é feito e como é feito.

 

***

Ao final do bate-papo, conversamos um pouco com o professor sobre a dificuldade de falar de conceitos e de trazer eles para a vida das pessoas, e como isso nos motiva a buscar sempre por pessoas que saibam mais do que a gente para compartilhar conhecimento. Falar sobre Terceiro Setor e Empreendedorismo Social muitas vezes é confuso porque dentro do Terceiro Setor existem muitas organizações que promovem impacto social atrelado à inovação através de novos produtos ou serviços que reverta em bem para a comunidade, e assim, está empreendendo socialmente. Mas não todas, e por isso não são todas as organizações de Terceiro Setor que são consideradas dentro do espectro do empreendedorismo social. Já o Empreendedorismo Social é uma forma de empreender que pode acontecer dentro do terceiro setor ou da iniciativa privada – nos chamados negócios sociais, por exemplo – e por isso, não depende das organizações de terceiro setor para acontecer.

 

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Espetáculos de dança no Brasil e no mundo para assistir agora mesmo

Amigos, amantes de dança! A Quarentena nos privou de algumas experiências com o corpo – como se exercitar e encontrar pessoas que amamos. MAS não nos privou de todas! A dança continua firme e forte não só no Arte e Cultura Barueri com as aulas para os alunos do programa, mas também em companhias de dança no Brasil e no mundo.

 

A gente sabe que a formação artística vem do aprender, mas também do observar e se alimentar da vanguarda da dança e das experiências de outros grupos artísticos. Então, a gente trouxe alguns dos maiores espetáculos de dança pra você viver a dança!

 

Grupo Corpo

 

O grupo mineiro fundado em 1975 tem um forte traço de brasilidade misturado com as convenções de dança erudita e europeia. O grupo é conceituado no mundo da dança e já se apresentou em muitos países ao longo da sua história. A crítica e pesquisadora de dança, Helena Katz, descreveu o grupo assim: “quando se vê o GRUPO CORPO dançando, é como se as questões do trânsito entre a natureza e a cultura estivessem sendo bem respondidas”.

Você pode acessar o site do grupo onde há links para suas presentações.

 

 

Trisha Brown Dance

 

Já ouviu falar de dança pós-moderna? É assim que pode ser definido o estilo de dança da companhia norte-americana. Nesse momento de quarentena, e no ano do 50º aniversário, está disponível no site algumas apresentações de dança para você ver em curso uma representação artística em movimentos. Acesse o site também para ver apresentações famosas como “Roof/Room Dance”.

 

São Paulo Companhia de Dança

 

Uma das mais importantes companhias de dança do país também se rendeu ao virtual para dar conta da divulgação e apreciação da arte.A SPDC tem várias apresentações muito importantes e bacanas que levam o espirito da dança ao seu ápice. E você pode conferir no site links para o Youtube e para o instagram onde também acontecem lives. Para ver também o trabalho nas redes sociais, siga: #SPCDdigital e #CulturaEmCasa.

 

 

Patinação no Gelo (Olimpíadas)

 

É um pouco estranho? Pode ser! A patinação no gelo é considerada um esporte, mas como sabemos, nem tudo na vida se encaixa em conceitos fechados. Por isso que decidimos dar essa dica! No canal do Youtube das Olimpíadas, é possível ver várias das apresentações da patinação no gelo – uma modalidade que flerta com a dança de forma bastante evidente. Dá uma olhada e diz pra gente se os movimentos de dança também te inspiram artisticamente.

Abaixo você confere uma das maiores duplas de patinação no gelo de todos os tempos (começar a assistir com o olhar da dança é um caminho sem volta)

 

 

Dica Extra: Podcast Contos do Balé!

 

A São Paulo Companhia de Dança lançou o podcast Contos do Balé. Ele se baseia no livro (com o mesmo nome) de Inês Borgéa que explora as histórias contadas nos espetáculos de ballet. O podcast será lançado todos os meses. No primeiro episódio, um jovem se apaixona por uma moça que tem que viver com a maldição de se tornar um cisne à noite. Esse é o enredo de um dos contos mais representados na dança: O lago dos cisnes.

Confira aqui.

Anne Frank Isolamento

Anne Frank e a angústia do isolamento

75 anos. É tudo isso de tempo que temos do fim da Segunda Guerra Mundial, a última grande crise mundial até agora. Segundo relatório divulgado pela ONU, esse estado de exceção em que estamos devido ao Covid-19, é a crise mais desafiadora que a humanidade passa desde a guerra.

75 anos. É tudo isso de tempo que temos desde a morte de Anne Frank. A jovem, judia, aos 15 anos morreu em um campo de concentração depois de passar dois anos em isolamento com a família no anexo de um prédio em Amsterdã.

75 anos. É tudo isso de tempo que nos separa do contexto desses dois fatos e que ao mesmo tempo nos dá a oportunidade de pensar um pouco sobre a angústia do isolamento e da incerteza.

Anne Frank, no alto de sua adolescência, nutriu um diário – sem o conhecimento dos familiares – carregado de suas frustrações, seus medos e seus conflitos dentro do isolamento. Um isolamento solitário, sem internet, sem chamadas de vídeo, sem memes, sem lives.

O medo de Anne em relação ao mundo exterior parece encontrar em nossos dias uma similaridade: um inimigo desconhecido que também é um risco à nossa sobrevivência, que também está envolto em um misto de incertezas e medos, e que também só é possível ser vencido pela força da esperança, da valorização das pequenas dádivas da vida e da vontade de chegar do outro lado da margem.

Na realidade de Anne, o anexo minúsculo comportava oito pessoas. Andar, só se fosse de cócoras, descalço. Conversar, só se fosse na base dos sussurros e gestos. Comer, às vezes não. Tudo em silêncio, sem perspectiva, sem muito sol. E é nesse ambiente que os planos de Anne Frank para o futuro se desenhavam. Ela queria ser escritora, ela imaginava o dia em que não estaria mais em confinamento. Ela usou a criatividade e a imaginação para continuar.

Apesar de “O Diário de Anne Frank” ser muito importante para a literatura mundial, ele ultrapassa o campo do texto e alcança a nós, hoje, ao demonstrar como o ser humano é ser humano sempre e pra sempre, nos surpreendendo com o fato de compartilharmos sentimentos com uma adolescente de 15 anos, que viveu há mais de 70 anos.

Se algum dia a angústia de Anne pareceu irreconhecível, é agora experimentando uma fração das dores do isolamento dela que encontramos o valor da solidariedade e respeito, ao pensar que se isolar, nesse caso, é respeitar o próximo, sabendo que, dessa vez, o perigo não discrimina. E através desse olhar, alcançar um nível de humanidade, de empatia e igualdade, que passou de largo nos dias de Anne.

75 anos é o tanto de tempo que somos um pouco mais Anne Frank do que jamais fomos. Essa parece ser a melhor hora de reconhecer que o prejuízo do isolamento não é só nosso e que o perigo lá fora não é só nosso. Essa parece ser a melhor hora para entender que, na melhor das interpretações, aprendemos a valorizar as pequenas liberdades que outros não tiveram, e que a gente sempre tomou como garantido. Aprendemos que somos iguais. E que, mesmo no isolamento, existe espaço para a criatividade, para continuar escrevendo, pintando e sonhando com um mundo que pra muitos nunca chegou. Mas pra gente vai. Pra gente pode chegar.

Mantenha as esperanças altas. Respeite o próximo. Dê lugar à criatividade. Fique em Casa.

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Dicas para se manter produtivo – para estudar ou trabalhar

Atenção: esse post não é para te deixar mais ansioso, mas te dar algumas dicas para se sentir mais produtivo (em qualidade e não em quantidade) e preparado para aprender, trabalhar e fazer aquelas coisas que você planeja há muito tempo, mas não tem forças, ânimo, coragem pra fazer.

 

Então, vamos lá para algumas dicas práticas:

 

1- Troque de roupa de manhã: seja para trabalhar, estudar ou só organizar os armários de casa. Trocar de roupa coloca o seu cérebro no módulo “operação” e te ajuda a organizar melhor a ideia de ter que fazer uma obrigação ou uma tarefa.

 

2- Local específico: Tenha um local específico para fazer atividades como estudo e trabalho que exijam concentração e disciplina. Isso porque ficar em um ambiente com muitas pessoas, televisão e música alta, podem não só tirar a concentração como desmotivar a fazer o que precisa.

 

3- Pausas: Não tem nenhum problema fazer pausas durante o dia, até porque nessa situação não há colegas de escola e trabalho com quem conversar, tomar um café ou trocar ideias. Por isso, mesmo com muito trabalho ou estudo, pare 15 minutos. Alongue, tome sol, ouça música ou veja o video novo do seu youtuber favorito… está tudo bem, você merece.

 

4- Não se cobre tanto: você quer ser produtivo, colocar matéria e trabalho atrasado em dia, né? Mas calma. Estabeleça metas possíveis para o dia. É melhor fazer uma coisa bem do que dez mal feitas e que te causem mais ansiedade.

 

5- Valorize seu corpo e não só a mente: pratique exercícios, se maquie, se vista bem… mesmo que para ficar em casa. O corpo fica mais tenso se não tiver como descarregar a energia ou não for bem cuidado. Pelo seu bem-estar e saúde, cuide do corpo!

 

 

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Representatividade feminina no terceiro setor

Falar sobre representatividade feminina em qualquer área de trabalho e a disparidade entre homens e mulheres em posições de liderança é um assunto que tem ganhado as pautas de redes sociais, veículos de comunicação e movimentos organizados e têm mostrado a necessidade ainda latente de falar sobre o assunto. Como um reflexo dessa realidade brasileira, o terceiro setor também apresenta seus desafios na área.

Segundo o censo Gife 2018, no montante total dos membros de conselhos deliberativos de organizações de terceiro setor, apenas 27% são mulheres. Apesar de esse número ter crescido 3 pontos percentuais de 2016 a 2018, ele ainda mostra uma dificuldade das mulheres em despontar no setor.

Como tentativa de equilibrar essa situação a partir do poder público e de sua função de equilíbrio das desigualdades, o projeto de lei 6203/19, em tramitação na Câmara dos deputados, exige que um terço das organizações sociais que atuem com o poder público tenham mulheres em seus conselhos de administração. A proposta é incentivar a paridade entre gêneros nas posições de liderança. Em contraponto, o terceiro setor tem o melhor índices de representação feminina no corpo de trabalho entre todos os setores: as mulheres correspondem à maioria dos colaboradores de base dessa área representando um total de 55%.

É vendo dados como esse que a IMELC tem entendido um pouco mais seu papel não só da porta pra fora, mas também da porta pra dentro. A organização social – voltada ao fomento do esporte, lazer e cultura como ferramenta de transformação social – nasceu em 2009 com o sonho de levar acesso e garantir o direito de todos ao lazer, conhecimento e práticas esportivas e culturais. Essa história começa do sonho de uma mulher que usou seu conhecimento e potencial para causar um impacto positivo na sociedade. Apesar de não ser algo proposital, a IMELC tem uma taxa de colaboradoras mulheres que bate os quase 60%. Assim como todas as corporações e setores, ainda estamos descobrindo os significados da palavra protagonismo e representatividade, mas o caminho segue sendo pavimentado.

Agora, todo esse contexto, ao invés de nos iluminar e nos dar um diagnóstico sobre o problema – apesar de o fazer em algum grau – levanta mais perguntas do que respostas. O que faz as mulheres mais interessantes para o terceiro setor do que para outros setores? E por que não nos cargos de liderança? Será que a cultura de trabalho no Brasil ainda assume que o lugar da empatia e não da “produtividade” (muito entre aspas) é da mulher?

É por isso que reforçamos a palavra impacto quando falamos da nossa missão. A palavra parece um artifício de publicidade e propaganda, mas não é. Quando entendemos que falar de impacto é falar, para além da nossa área de atuação, falar de mudança na cultura – no sentido antropológico da palavra – ou seja, costumes, forma de interpretar o coletivo, forma de interpretar o papel como cidadão, mudar a forma de enxergar o contexto social, a palavra impacto parece certeira.