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Por que incentivar a cultura?

Quem já ouviu falar sobre Frida Kahlo, Jane Austen, Van Gogh e Mozart pode ter alguma ideia de como a arte tem o poder de oferecer um escape produtivo e saudável de realidades, muitas vezes duras – que nesses exemplos, passam por doença, transtorno mental e machismo. Mas, é claro, não é pra isso que a arte serve e nem queremos que ela seja um paliativo para os problemas de ordem social ou pessoal. Mas a reflexão começa por entender que algumas das pessoas mais brilhantes das artes encontraram nela formas de falar sobre suas dores e de embelezar um mundo, por vezes, em ruínas.

Uma das formas mais comuns de se pensar em cultura, e agir em prol dela, é através da arte – seja dança, música, teatro ou outras formas. A cultura é uma dimensão que engloba muitas coisas: língua, modo de vida, culinária, história e muitas outras que fazem de nós, parte de um contexto social, e é através da arte que é possível se falar sobre cultura enquanto comportamento, enquanto impacto social, enquanto problema que permeia a sociedade como um todo. O que isso tudo quer dizer? Quer dizer que a arte tem um dos mais importantes resultados quando se trata de vida em sociedade: ela é a expressão do que cada pessoa, em sua individualidade sente, pensa, e é de indivíduo em indivíduo que a sociedade entrelaça sua trama de significados e símbolos.

É partindo das experiências pessoais que Van Gogh desenha seus girassois e é a sinceridade da sua arte que alcança o coração de tantos outros, e é carregada pela civilização pelos anos, se tornando inspiração para que várias novas gerações falem das suas dores em forma de artes plásticas. Van Gogh prova o quanto a arte parte do micro e impacta o macro em longo prazo, por exemplo. Mas então, quando falamos sobre a importância de  incentivar a cultura, estamos falando sobre criar os Van Goghs do amanhã? Sim, mas não principalmente. Estamos falando sobre oferecer às pessoas formas e incentivo de expressarem suas próprias ideias do mundo e suas experiências com ele. Estamos falando sobre ter comunidades que abraçam as artes que existem em todos nós e que isso seja uma linha invisível que conecta todo mundo aos sentimentos, às dores, aos pensamentos e linhas de raciocínio uns dos outros, a ponto de sermos construídos no campo da empatia. Estamos falando sobre permitir e encorajar que crianças, jovens e adultos, exercitem suas capacidades criativas para achar as melhores formas de entender as realidades que os cercam, e assim, reflitam sobre possíveis soluções. Estamos falando sobre oferecer válvula de escape para o estresse da vida cotidiana.

Falar de arte é falar de tudo que diz respeito à subjetividade do indivíduo consigo e com a coletividade de forma a ser uma manifestação dos tempos em que são feitas, produzindo sem querer, contribuição histórica para a sociedade enquanto os questionamentos e desafios de ordem pessoal vão sendo elaborados em produto. É através de Van Gogh que entendemos melhor que beleza mora na dor, que dor mata, que talento é uma celebração à capacidade de ser humano. Só para citar alguns.