RELEVÂNCIA DE MODALIDADES ESPORTIVAS E CULTURAIS NO DESENVOLVIMENTO BIOPSICOSSOCIAL

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Por Nadia Maria Giaretta Ranalli

1- Resumo

Este artigo tem como objetivo apontar a relevância no desenvolvimento biopsicossocial através de práticas de Práticas Corporais e de Práticas Integrativas e Complementares: arte, dança, música e desportivas e de lazer aos munícipes.

O programa da Academia da Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde define como objetivo: “Contribuir para a promoção da saúde e produção do cuidado e de modos de vida saudáveis da população a partir da implantação de polos com infraestrutura e profissionais qualificados” (MINISTÉRIO DA SÁUDE, 2016). De acordo com o Ministério da Saúde os eixos das atividades a serem desenvolvidas nos Polos deverão abranger: Práticas artísticas e culturais; Produção do cuidado e de modos de vida saudáveis; Práticas corporais e atividades físicas; Promoção da alimentação saudável; Práticas integrativas e complementares; Educação em saúde; Planejamento e gestão; e Mobilização da comunidade.  As áreas que ocorrem as atividades se dividem em três: Básica: (com área ao ar livre, equipamentos para práticas corporais e atividade física); Intermediária (com área ao ar livre, equipamentos para práticas corporais e atividade física, banheiros e almoxarifado) e Ampliada (com área ao ar livre, equipamentos para práticas corporais e atividade física, coreto, sala de vivência, estrutura de apoio e banheiros), tais diretrizes embasam o programa em questão.

Os objetivos são:

  • Promover o cuidado humano integral – corpo e mente;
  • Prevenir doenças;
  • Favorecer o desenvolvimento biopsicossocial;
  • Proporcionar a interação e inserção social;

 

 

2-Esporte

 

“…das competições por meio não só de técnicas corporais, mas de imitações

               pela imaginação, inteligência tática, atividades de cooperação e conhecimento do esporte.  As tecnologias digitais da atualidade permitem que esse ensino seja processado,   de forma ágil, veloz, democrática e produtiva. (SCAGLIA; MEDEIROS; SADI, 2006).”

Os estudos apontam que a iniciação das práticas esportivas atividades vas devem ser iniciadas o mais cedo possível, por sempre apresentar aspectos positivos, independente da modalidade. Os ganhos, com uma formação esportiva, associada às ações escolares curriculares, proporcionam desenvolvimento global do individuo, com as devidas proporções, sempre respeitando as particularidades, aptidões, habilidades e preferências individuais, prosseguindo ou não, a carreira desportista (ARENA; BÖHME, 2000).

 

3- Lazer

O conceito de lazer, está associado a prática esportiva, de preferência e prazerosa , com duração e dias estipulados. O sociólogo francês Dumazedier define lazer como: “o lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais”. Atualmente o lazer tem como princípio o desenvolvimento biopsicossocial, associando o tempo livre e não é incomum associá-lo as classes sociais, envolvendo também o ambiente que o indivíduo vive (MELO DE SOUZA, 2006).

Podem-se dividir tipos de lazer:

  1. Doméstico: ações como tv, jogos, internet, entre outros.
  2. Turístico: viagens, passeios, excursões, entre outros.
  3. Trabalhista: dentro das empresas.
  4. Escola: aulas de Educação Física. Teatro, Artes, entre outros.

 

 

 

 

 

“O lazer compreende, assim, a vivência de inúmeras manifestações da cultura, tais

como o jogo, a brincadeira, a festa, o passeio, a viagem, o esporte e também as formas de artes (pintura, escultura, literatura, dança, teatro, música, cinema), entre várias outras possibilidades. Inclui, ainda, o ócio, uma vez que esta e outras manifestações culturais podem constituir, em nosso meio social, notáveis experiências de lazer. Todavia, essas práticas assumem significados diversos ao dialogar com um determinado contexto, ao se materializar em um determinado tempo/espaço e, também, ao assumir um papel peculiar para os sujeitos, para as instituições e para os grupos sociais que as vivenciam. “(GOMES, 2008).

 

 

O lazer pode ser mensurado como uma manifestação que acompanha o contexto onde o mesmo ocorre, tanto pelas ações tanto pela aceitação dos indivíduos que farão uso desse lazer. A rotina de trabalho maçante e a falta de espaço para o lazer constituem limitações de espaço e atividades de lazer. Atualmente a concepção de lazer demarca o estilo de vida, Krippendorf (p.37, 2003) define lazer como sendo: “As cidades não se preocupam muito com o lazer nem com as necessidades de relaxamento dos seus habitantes. A maioria são cidades de trabalho, incompatíveis com uma vida plena.” (GOMES, 2008).

 

“Para superar essas dificuldades é necessário desenvolver um trabalho                                                                sistemático, contínuo, abrangente e integrado que reconheça o lazer como um                                                               campo possível de sensibilização, conhecimento e mobilização político-pedagógica

em nossa sociedade, no sentido de compreendê-la para ajudar a torná-la mais humana e democrática.

                   Apesar do “lazer mercadoria” – que enfatiza práticas alienantes, efêmeras consumistas e supostamente        

                 desconectadas da dinâmica social – ser um dos grandes bens estimulados nos dias de hoje, experiências   

            críticas e criativas de lazer resistem à lógica excludente do  capital   expõem as suas mazelas e descortinam     

                                    novas possibilidades, pautadas em outros princípios e valores éticos.”(GOMES, p. 18, 2008).

 

Por fim, abordar o termo lazer em Polos urbanos é abranger desde a educação até vasta diversidade arquitetônica, tudo constrói e forma, através do ludicidade a partir da realidade.

 

 

4-Práticas Corporais

Os estudos, a partir da década de 2000, apontam a importância das Práticas Corporais para que a qualidade de vida, tão almejada, seja alcançada. (LAZZAROTTI FILHO; SILVA; DE LORENZI PIRES, v. 35, n. 3, 2013).

                                                                          […] seria interessante que os alunos conseguissem realizar,   

                                           associadamente, os dois tipos de aprender: o primeiro, apenas com o objetivo  

                                         de vivenciar a atividade: o segundo, com o objetivo de dominar o saber-objeto

                                                                                                    da atividade (FIGUEIREDO, (2004, p. 99)

 

A corporeidade constitue saberes sensoriais, técnicos e estéticos, posto seja que as pesquisas quantitativas e qualitativas têm crescido sensivelmente colaborando com os depoimentos dos indivíduos que se beneficiam com as Práticas Corporais – PC, associando e aproximando a educação física/ ciência do esporte/saúde coletivo (VAZ; QUINTÃO DE ALMEIDA; BASSAN, 2017). Mas como inserir a saúde através do esporte dentro da prática de vida diária das pessoas, principalmente em grandes cidades?

A gestão deve promover e articular ações, através de políticas públicas com estratégias para que a promoção da saúde seja de fato efetiva e que proporcione qualidade de vida nos grandes centros urbanos, onde a vida é estressante e com poucas oportunidades de lazer e cultura gratuitamente.

Quando se associa a promoção da saúde com esporte e lazer, exige-se uma articulação também social, ou seja, entender e oferecer atividades diversas sempre procurando o desenvolvimento biopsicossocial e respeitando as necessidades, preferências e relevâncias da população atendida. A grande adversidade é a união intersetoriais, pois apenas através da junção entre poder público e população é que se viabilizam tais ações. É necessário que haja uma gestão democrática onde os papéis se complementem em apenas um propósito: Promoção da Saúde. As práticas corporais são as ações mais indicadas, através de estudos e pesquisas que favorecem e possibilitam que a população, através de atividades físicas, planejadas e dirigidas, possa ser fortalecida em suas dificuldades e práticas da vida diária minizando os problemas: sociais, ambientais, culturais e financeiros. Todas essas diferenças mencionadas e observadas promovem gradativamente e em grande escala o desemprego, a miséria, a desigualdade demográfica, violência e consequentemente diminuição da saúde (MORETTI, Andrezza C. et al, 2009).

Países de primeiro mundo já possuem estratégias e ações para que os itens mencionados não ocorram, ou seja, apenas em um apequena parcela da população, sendo exceção e não regra. A OMS define qualidade de vida por: alimentação saudável, habitação digna, ocupação profissional dentro dos direitos legais, saúde, escola, segurança…mas de nada vale todas essas ações se o indivíduo não se sentir e ser agente e sujeito de suas escolhas e decisões. Baseado em dados e pesquisas, em 2006 o Ministério da Saúde organiza Política Nacional de Promoção da Saúde, com o propósito de minimizar as consequências da desigualdade em inúmeros âmbitos, já citados. Esse programa estipula que a gestão pública deva criar ações que promovam alimentação saudável, prática corporal/atividade física, cultura, sustentabilidade, ou seja, aspectos diretamente associados a sobrevivência (MORETTI, Andrezza C. et al, 2009).

5-Práticas Integrativas e  Complementares (PICS):

As Práticas Integrativas e Complementares (PICS) são atividades que utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais. É importante ressaltar que existem evidências científicas mostrando os benefícios do tratamento integrado, inclusive entre medicina convencional e práticas integrativas e complementares. Além disso, há crescente número de profissionais capacitados e habilitados e maior valorização dos conhecimentos tradicionais de onde se originam grande parte dessas práticas. (MINISTÉRIO da SAÚDE, 2019). Pode-se incluir a atividades psicopedagógicas associadas aos processos mencionados anteriormente.

No Brasil, as Práticas Integrativas e Complementares – PICS se legitimaram na década de 80, a princípio contemplando apenas os indivíduos com transtornos mentais. A filosofia das Práticas Integrativas e complementares não dissocia corpo e mente, pelo contrário, favorecem qualidade de vida numa visão holística. Efetivamente se utilizam atividades e tecnologias singulares que perpassam e abrangem desde o acolhimento até a inserção em sociedade, através do conhecimento e empoderamento pessoal. Os resultados das PCIS são: diminuição da agressividade, pânico, ansiedade, agitação psicomotora, entre outros sintomas/comportamento atípicos. É de suma importância ressaltar que as terapias aplicadas nas Práticas Integrativas e Complementares não visam à cura, mas sim, o autoconhecimento, a explanação e harmonização da sensibilidade e emoções. (QUEIROZ, 2000; FRAGOSO; NEGRINE, 1997 e Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte– 2004,3(3): 89-97).

 

  1. Referências bibliográficas

https://www.repositorio.bahiana.edu.br:8443/jspui/bitstream/.Trabalhofinal.pdf.

Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). ….. No Brasil, nos dias de hoje, a implantação dessas técnicas no serviço de saúde traz diversos benefícios ….. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte– 2004, 3(3):89-97.

 

 

 

 

  • LAZZAROTTI FILHO, Ari; SILVA, Ana Márcia; DE LORENZI PIRES, Giovani. Saberes e práticas corporais na formação de professores de Educação Física na modalidade à distância. Revista brasileira de ciências do esporte, v. 35, n. 3, 2013.

 

  • VAZ, Alexandre Fernandez; QUINTÃO de ALMEIDA, Felipe; BASSAN, Jaison José. Da pesquisa e da prática pedagógica. Revista brasileira de ciências do esporte, v. 39, n. 4, p. 329 – 460; outubro – dezembro 2017.

 

  • MORETTI, Andrezza C. et al. Práticas corporais/atividade física e políticas públicas de promoção da saúde. Saúde e Sociedade, v. 18, p. 346-354, 2009.

 

 

 

  • http://www.cds.ufsc.br/~valmir/cl.html

 

  • MORETTI, Andrezza C. et al. Práticas corporais/atividade física e políticas públicas de promoção da saúde. Saúde e Sociedade, v. 18, p. 346-354, 2009.

 

 

  • KRIPPENDORF, Jost. Sociologia do Turismo: Para uma nova compreensão do lazer e das viagens. ed. São Paulo: Aleph, 2003.

 

  • GOMES, Christianne Luce. Lazer urbano, contemporaneidade e educação das sensibilidades. Itinerarium, v. 1, n. 1, p. 18, 2008.

 

  • ARENA, Simone Sagres; BÖHME, Maria Tereza Silveira. Programas de iniciação e especialização esportiva na grande São Paulo. Revista Paulista de Educação Física, v. 14, n. 2, p. 184-195, 2000.

 

  • SCAGLIA, ALCIDES JOSÉ; MEDEIROS, MARA; SADI, RENATO SAMPAIO. Competições Pedagógicas e Festivais Esportivos: questões pertinentes ao treinamento esportivo. Revista Virtual EFArtigos, 2006.