Representatividade feminina no terceiro setor

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Falar sobre representatividade feminina em qualquer área de trabalho e a disparidade entre homens e mulheres em posições de liderança é um assunto que tem ganhado as pautas de redes sociais, veículos de comunicação e movimentos organizados e têm mostrado a necessidade ainda latente de falar sobre o assunto. Como um reflexo dessa realidade brasileira, o terceiro setor também apresenta seus desafios na área.

Segundo o censo Gife 2018, no montante total dos membros de conselhos deliberativos de organizações de terceiro setor, apenas 27% são mulheres. Apesar de esse número ter crescido 3 pontos percentuais de 2016 a 2018, ele ainda mostra uma dificuldade das mulheres em despontar no setor.

Como tentativa de equilibrar essa situação a partir do poder público e de sua função de equilíbrio das desigualdades, o projeto de lei 6203/19, em tramitação na Câmara dos deputados, exige que um terço das organizações sociais que atuem com o poder público tenham mulheres em seus conselhos de administração. A proposta é incentivar a paridade entre gêneros nas posições de liderança. Em contraponto, o terceiro setor tem o melhor índices de representação feminina no corpo de trabalho entre todos os setores: as mulheres correspondem à maioria dos colaboradores de base dessa área representando um total de 55%.

É vendo dados como esse que a IMELC tem entendido um pouco mais seu papel não só da porta pra fora, mas também da porta pra dentro. A organização social – voltada ao fomento do esporte, lazer e cultura como ferramenta de transformação social – nasceu em 2009 com o sonho de levar acesso e garantir o direito de todos ao lazer, conhecimento e práticas esportivas e culturais. Essa história começa do sonho de uma mulher que usou seu conhecimento e potencial para causar um impacto positivo na sociedade. Apesar de não ser algo proposital, a IMELC tem uma taxa de colaboradoras mulheres que bate os quase 60%. Assim como todas as corporações e setores, ainda estamos descobrindo os significados da palavra protagonismo e representatividade, mas o caminho segue sendo pavimentado.

Agora, todo esse contexto, ao invés de nos iluminar e nos dar um diagnóstico sobre o problema – apesar de o fazer em algum grau – levanta mais perguntas do que respostas. O que faz as mulheres mais interessantes para o terceiro setor do que para outros setores? E por que não nos cargos de liderança? Será que a cultura de trabalho no Brasil ainda assume que o lugar da empatia e não da “produtividade” (muito entre aspas) é da mulher?

É por isso que reforçamos a palavra impacto quando falamos da nossa missão. A palavra parece um artifício de publicidade e propaganda, mas não é. Quando entendemos que falar de impacto é falar, para além da nossa área de atuação, falar de mudança na cultura – no sentido antropológico da palavra – ou seja, costumes, forma de interpretar o coletivo, forma de interpretar o papel como cidadão, mudar a forma de enxergar o contexto social, a palavra impacto parece certeira.