PCD e a pandemia: PEAMA usa arte para continuar incentivando alunos do programa

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Esse é um momento em que todos procuram entender qual o próximo passo, qual o tamanho da adaptação necessária, como inovar e continuar impactando positivamente o mundo e os outros. E é justamente por isso que a história de sucesso do Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas (PEAMA) ganha uma força tão renovadora.

O programa nasceu em 1996 como uma iniciativa da Unidade de Gestão de Esportes da cidade de Jundiaí, com o objetivo de promover inclusão da pessoa com deficiência através do esporte. Hoje são 390 pessoas atendidas e são oferecidas modalidades como: natação, atletismo, bocha, tênis de campo, dança, capoeira, corrida de rua, ciclismo, caminhada, atividades náuticas, escola da bola, futsal, goalball e ginástica rítmica.

Com a paralisação causada pelo isolamento social e a falta do contato presencial, a ideia de uma mãe fez toda a diferença: por que não usar a arte para continuar impactando os alunos através da releitura de obras de arte e até de esporte? 

A ideia ganhou as redes sociais através do grupo Tussen Kunst & Quarentine, grupo holandês que começou a propor uma releitura das obras por pessoas comuns. Já no PEAMA, os alunos e suas famílias não exitaram em deixar a criatividade rolar solta e participar da iniciativa que se transformou no projeto “Arte no PEAMA”. E essa fama já chegou longe: uma das releituras foi selecionada pelo Canal Arte1 como uma das melhores e até a chamar atenção de outras cidades.

Já faz um tempo que a arte e o esporte se cruzam no PEAMA. Para César Munir, diretor do departamento de esporte adaptado da prefeitura de Jundiaí, a relação entre arte e esporte está em incentivar e demonstrar potencialidades: “a gente tem, realmente, essa relação com a arte, porque, a arte, assim como o esporte, é uma forma de demonstrar as possibilidades da pessoa. E isso independe de ter uma deficiência ou não.”, observa César. “[A arte e o esporte] mostram primeiro para a pessoa com deficiência, depois para a família, depois para a sociedade as reais possibilidades que eles têm, e acho que esse também é o impacto social [da iniciativa]”, completa.

Apesar da repercussão do projeto e os benefícios para a criatividade, na área do esporte os desafios ainda são grandes. Trabalhar com a prática esportiva para pessoas com deficiência depende muito da correção presencial e demonstração dos movimentos, e por isso, a adaptação para a realidade pós-pandemia ainda vai levar um tempo para acontecer. No momento, o trabalho com os alunos têm sido direcionado a passar exercícios para que eles continuem ativos em casa, além do acompanhamento e apoio às famílias e alunos.

Mas foi no final da conversa que César nos surpreendeu com uma observação que faz toda a diferença para nossa percepção do impacto da pandemia na vida de pessoas com necessidades especiais, e por isso mesmo, a gente decidiu colocar esse trecho na íntegra. Acompanhe abaixo:

“A gente tem percebido que a pessoa com deficiência, naturalmente, tem uma capacidade de suportar esse contratempo, essa dificuldade, mais do que nós, porque é uma pessoa mais acostumada a ter obstáculos colocados à sua frente durante toda a vida. A pandemia trouxe só mais alguns. Na vida, a pessoa com deficiência está acostumada a ouvir muitos “não”. Uma família com criança com deficiência tem muito essa experiência. Elas estão muito acostumadas a lidar com essa situação de não poder fazer algo. E nesse momento, eu percebi o quanto essas pessoas estão mais preparadas pra lidar com isso.”