O que aprendemos até agora com a quarentena?

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“E agora, o que eu vou fazer pra me ocupar?” Se você pensou isso no começo da quarentena, saiba que não é a única pessoa. Ter 24h a ser, de fato, dividida entre trabalho, sono e lazer (e cof, cof, afazeres de casa) era uma doce utopia que do nada faz parte das nossas vidas. E agora? Vou me especializar? Vou fazer aquele curso de excel que preciso há tanto tempo? Vou colocar em dia os tutoriais que salvei no Pinterest? E aí chegamos à seguinte pergunta: “sério que tudo o que eu tenho que fazer no meu tempo livre nessa quarentena tem que ser algo útil?”.

 

Não são poucas as referências na literatura e nas artes ao prazer de fazer algo que não é útil. Se você já viu filmes italianos, provavelmente já se deparou com uma frase muito usada e que virou jargão do lazer: dolce far niente, ou em tradução livre, a doçura de não fazer nada. Em seu best seller “O segredo da Dinamarca”, a jornalista britânica Helen Russell fala sobre a perspectiva de uma estrangeira chegar em um país e se deparar com uma cultura que desenvolveu a palavra hygge para, basicamente, dar som e forma a uma ideia muito simples: aproveitar os pequenos prazeres da vida, como tomar um café na sala de casa, acender umas velas e relaxar. Ócio recreativo com diriam alguns. A arte e o prazer de fazer alguma coisa que não precisa de utilidade. É só porque é gostoso ou porque eu quero.

 

Nesse período de isolamento, nos deparamos com centenas de relatos sobre o fenômeno da desacelaração (antônimo da propriedade da física por coincidência). O fenômeno de olhar pra vida e falar: “poxa, eu tenho um pandeiro aqui em casa e não sei tocar… quer saber? estou afim de aprender”. O que isso vai agregar de concreto na sua vida, só o tempo vai dizer… mas quem disse que precisa agregar? Sabe, a gente vê muita referência às práticas culturais e artísticas como sendo uma coisa dispensável porque nem sempre acrescenta algo de concreto na vida das pessoas. Mas eu gostaria muito de saber quem está mantendo a paz de espírito nesse momento aprendendo a montar planilha.

 

Não é que você não possa. Você pode, e deve, fazer o seu movimento pessoal de crescimento, de amadurecimento profissional, espiritual, artístico, psicológico. Está tudo certo. Mas não despreze o “dolce far niente” da vida e da arte. O prazer de tocar um instrumento sem saber, de cozinhar algo diferente que fique mais ou menos bom, de desenhar porque é legal, de cantar porque você gosta. O nosso programa Arte e Cultura Barueri tem muito a acrescentar na vida das pessoas em termos que falamos sempre e que valorizamos muito, como disciplina, socialização, saúde, pensamento criativo, entre outros. Mas sabe, nesse momento estamos mais preocupados de você ter sempre à mão uma atividade que te faz bem. Por aqui já mostramos nossos alunos fazendo bolinhos (que a prof. Rebecca ensinou), ou mães fazendo aulas de zumba com as filhas, ou alunos usando borra de café pra desenhar. Por quê? Porque faz bem, porque é gostoso, porque deixa a gente feliz e dá prazer.

 

No fim das contas, é amar o que faz que nos deixa bem com a gente e com os outros, ainda mais em tempos tão difíceis.