Campeonato Brasileiro de Kettlebell: emoção e desafio

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Sábado de manhã em uma espécie de pequeno galpão na zona oeste de São Paulo. O único movimento da rua: homens e mulheres suados tomando a calçada em meio a comprimentos, cervejas e música. Esse é o cenário que eu encontrei para o Campeonato Brasileiro de KettleBell que aconteceu no último sábado (29).

Mas não se engane pelo tamanho do evento. 99 atletas estavam ali com duas missões muito importantes (e muita garra pra chegar lá): fazer o maior número de levantamentos da “chaleira” em 10 minutos e chegar ao campeonato mundial que acontece na Espanha em 2020.

Dentro do espaço, quatro plataformas em frente a juízes atentos demarcavam a área de cada candidato, motivados por gritos de torcida e uma música que deixava a energia lá em cima. E quem vê o esforço exigido de cada participante sabe que não foi nada fácil. Um desses participantes é a Roberta Roos, que contou pra gente um pouco sobre isso: “o Kettlebell é um esporte que exige muito física e mentalmente e nos leva a vencer os nosso próprios limites… a gente se supera o tempo inteiro”.

Roberta foi uma das classificadas para o campeonato mundial, com uma marca de 118 repetições ao longo dos dez minutos. Ela foi uma das primeiras representantes do Brasil no campeonato mundial da Grécia, em 2017, ganhando a medalha de bronze. O outro representante, Christian Thier, ganhou medalha de prata. Desde então o esporte vem crescendo: “a gente tem visto a cada ano que essa sementinha plantada aqui no Brasil vem agregando entusiastas e atletas que querem participar desse esporte tão intenso”, diz.

 

E pra explicar pouco mais sobre a importância desse campeonato e como o esporte têm ganhado força no país, conversamos também com o Cláudio Novelli, presidente da Kettlebell Garage Brasil (KGB), a primeira organização focada em Kettlebell como esporte. Acompanhe a entrevista.

 

IMELC  – Como você se interessou pelo esporte?

Claudio Novelli – Através da prática de Systema (arte marcial russa), busquei entender como gestos aparentemente tão suaves eram capazes de transmitir tanta força. Socos e empurrões eram desferidos por pessoas comuns, porém com muita, muita potência mesmo e de forma suave.

Através do entendimento de como o corpo deveria se movimentar para obter tamanha eficiência, alguns mestres russos me recomendaram começar a levantar kettlebells, mas não somente em busca de boa forma física (fitness) e sim em busca de rendimento esportivo (competição).

O Kettlebell em si, a peça, é uma só, mas é a pessoa que decide qual finalidade dará no seu uso, seja fitness ou seja competição.

Kettlebell sport é competição.

 

IMELC – Falando um pouco do campeonato brasileiro, como funciona essa competição?

Claudio Novelli – As provas são de até 10min de levantamento de kettlebell de forma ininterrupta. Colocar o peso no chão significa fim de prova.

As provas podem ser feitas com um ou com dois kettlebells ao mesmo tempo. Quando se utiliza somente um único kettlebell em provas de 10min, o atleta só pode trocar o peso de mão uma única vez.

 

IMELC – Há quanto tempo rola esse campeonato?

Claudio Novelli – O Campeonato Brasileiro de Kettlebell Sport já é realizado desde 2014. Esta foi sua sexta edição, e contou com 99 atletas de dez Estados brasileiros.

 

IMELC – Quantos saem do Campeonato Brasileiro para o mundial?

Claudio Novelli – Foram 11 os atletas classificados para o Campeonato Mundial de Kettlebell Sport WKSF que acontecerá no mês de Junho em Aranjuéz, na Espanha.

Ainda há possibilidade de classificação de mais atletas para a Seleção Brasileira de Kettlebells Sport 2020 nos Campeonatos Estaduais que acontecerão até o mês de maio/2020 em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, e Pernambuco.

 

IMELC – Quantas fases tem no campeonato?

Claudio Novelli – Não há fases classificatórias para participar do Campeonato Brasileiro, porém somente as cargas amadoras e elite são classificatórias para o mundial. As cargas de acesso e intermediárias são apenas participativas.

Cargas amadoras: 16kg para mulheres e 24kg para homens.

Cargas elite: 24kg para mulheres e 32kg para homens.

Para crianças, podem ser utilizadas cargas de 4 ou 6kg, assim como no caso de Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais.

IMELC – E para os homens (para ir para o campeonato mundial)?

Claudio Novelli – Homens se classificam com carga mínima de 24kg no amador ou veterano, e 32kg no elite. Como há levantamentos duplos, algumas modalidades requerem que sejam erguidos 2 x 24kg ou 2 x 32kg (um Kettlebell em cada braço).

 

IMELC  – Qual o papel da KGB nisso?

Claudio Novelli – A KGB é uma empresa que atua em várias frentes de divulgação e fomento ao esporte. Foi a primeira equipe a organizar-se no Kettlebell Sport.

O espaço da KGB na Vila Leopoldina, em São Paulo, sedia a Confederação Brasileira de Kettlebell Sport – CONBRAKS – onde aconteceu o campeonato brasileiro deste ano de 2019. Nesse espaço, é possível que qualquer pessoa treine de forma gratuita, conforme determinação estatutária da CONBRAKS.

 

IMELC  – E qual a relação cultural com o esporte?

A KGB tem parceria estreita com o Governo Russo através da Rossotrudnichestvo, agência russa de apoio à cultura, esportes e educação intercontinental.

Sendo o Kettlebell Sport de berço russo, chamado de Girevoy Sport (lê-se “guirevói”), os laços se estreitaram entre as entidades e a KGB já representou o Consulado Geral da Rússia na Virada Esportiva da Cidade de São Paulo 2019.

 

IMELC  – O que falta para o esporte se tornar um esporte olímpico?

Claudio Novelli –Há uma série de quesitos para que um esporte se torne olímpico, conforme regula a Carta Olímpica.

É necessário que uma grande quantidade de países tenha suas Confederações Nacionais institucionalizadas oficialmente e reconhecidas junto ao respectivo Comitê Olímpico Nacional.

No caso do Brasil, é necessário que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) reconheça a CONBRAKS como entidade responsável para tratar de quaisquer assuntos relativos à candidatura olímpica do kettlebell sport.